Cuzco Diário de Viagem Peru

Guia do Nativo #13 – Machu Picchu

Machu Picchu, que do idioma quechua significa monte velho foi construído antes do século XV é uma das 7 Maravilhas do Mundo e Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1983.

Introdução

Machu Picchu, que do idioma quechua significa monte velho foi construído antes do século XV é uma das 7 Maravilhas do Mundo e Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1983.

Está localizado no departamento de Cusco, província de Urubamba no Peru, é uma obra prima da engenharia e arquitetura conhecida mundialmente por conta dos relatos e livros dedicados a desvendar a sua misteriosa construção e utilidade para o império Inca.

Em 24 de Julho de 1911, Hiram Bingham, um professor norte americano que estudava os redutos incaicos de Vilcabamba (local próximo) guiado por Agustín Lizárraga (local cusquenho que havia chegado em Machu Picchu em 1902) e outros locais redescubriram Machu Picchu, lá encontraram 2 famílias que usavam as terras para plantar e ainda retiravam água do canal incaico que ainda funcionava.

Bingham acionou a Universidade de Yale, National Geographic Society e o governo do Peru para começar imediatamente estudos científicos na região, assim, desde 1912 à 1914 Birgham dirigiu trabalhos arqueológicos.

Machu Picchu passou a ser conhecida a partir de 1913 após uma publicação na revista National Geographic. Entre 1914 e 1915 foram tiradas fotos do local e essas foram publicadas em diversas revistas peruanas, o que tornou Machu Picchu de pouco a pouco um símbolo nacional.

Vivência

Depois de conversar com a brasileira vestida de palhaço na Plaza de Armas de Cusco, como explicamos na última publicação, fomos à agencia para ver quão mais barato seria, e sim, era muito mais barato que qualquer outra.

O tour com ida (com almoço) e volta de van desde a hidrelétrica, em águas calientes hospedagem (janta e café da manhã), entradas à Machu Picchu, ficou por apenas 500 soles para os dois, não para cada. Perguntamos se tinha alguma coisa errada e informaram que não, então pagamos para sair no seguinte dia às 6AM.

Fomos para o hostal, preparamos a mochila da viagem com roupas para 3 dias, documentos, dinheiro, lanches, frutas, sucos e água.

No seguinte dia por volta das 5AM descemos na recepção, ouvimos a televisão ligada e o recepcionista estava cochilando, deixamos a mochila maior na recepção para retirar quando regressássemos, pegamos um táxi até o centro e quando chegamos em frente à agencia de tours, não havia ninguém.

Nos preocupamos um pouco porque em frente às outras agências haviam pessoas e algumas vans passavam e os pegavam. Até que por volta das 6:10 AM quando já estávamos desesperados, chegou um senhor perguntando por nós e informou que a van estava do outro lado, pediu que o seguisse e assim fomos.

Chegamos em um local cheio de estrangeiros e muitas vans, esperamos em uma fila gigante e finalmente embarcamos em uma van com destino à hidrelétrica, onde tem o trem que te leva até Aguas Calientes.

A viagem de Cusco à Hidrelétrica é de mais ou menos 6 horas e tivemos duas paradas, a primeira foi para tomar café da manhã próximo ao Vale Sagrado (não incluso no tour) e a segunda em um povoado, onde nos serviam em um buffet grande com entrada, prato principal, suco e sobremesa.

A partir daí o caminho começou a ficar cada vez mais perigoso, o motorista parecia bastante confiante e experiente, mas mesmo assim as pessoas sentia bastante medo por conta da altura do penhasco e da distância que passávamos com a van da sua borda, para que tenha uma noção, quando olhávamos para a janela lateral do carro não se via a borda da estrada, era como se estivéssemos flutuando.

Algumas pessoas filmavam, outras fechavam os olhos e algumas que já conheciam o caminho tomavam remédio para dormir, para não estar consciente nesta parte do caminho, eu fui parte dos que filmavam.

Quando chegamos na hidrelétrica, já bastante cansados pela viagem, nos deparamos com uma estação de trem, com um trem antigo, aparentemente abandonado, parado.

Aí haviam também diversos vendedores de repelente, frutas, carne e snacks para a viagem, mas nós já estávamos bastante munidos e começamos a trilha de quase 12kms com destino à Machu Picchu Pueblo (também conhecido como Aguas Calientes).

Não havia nenhuma placa desde o ínicio até o final da trilha, sabíamos apenas que deveríamos seguir o trilho do trem. O caminho era bastante incômodo, durante quase todo ele, encontrávamos pedras médias e isso dificultava bastante caminhar, correndo risco de ter uma torção no caminho.

Nos primeiros quilômetros estávamos bastante animados, passávamos rapidamente dos outros viajantes, e por volta do 5º quilômetro (imagino, porque não haviam placas) conhecemos um casal de chilenos, lembro que o nome do rapaz era Jesus e eles falavam muito rápido e eu não podia entender.

Eles nos acompanharam durante muitos quilômetros. O caminho era bastante cansativo, principalmente porque não sabíamos se estávamos perto ou longe, eu tinha apenas um aplicativo de corrida no meu celular que mostrava o quanto havíamos caminhado, mas não estava claro quanto faltava, porque não tinha um caminho bem definido.

Por falta dessa informação começamos a nos preocupar porque já estava começando a escurecer, até que chegamos por volta das 6:30PM no final do trilho, já estava quase escuro, não haviam lampadas no caminho porque era mata e não tinha nenhuma sinalização para onde tínhamos que ir para chegar em Aguas Calientes.

Juntamente com o casal chileno (que pareciam ter brigado entre si), arriscamos descer uma ladeira que nos levou à uma estrada de terra, onde de vez em quando passava um carro ou ônibus para iluminar o caminho. Estávamos usando as lanternas do celular, então decidimos seguir pelo mesmo caminho que os carros estavam indo, Jesus disse que ia na frente para ver se conseguia encontrar a cidade e correu sumindo na noite.

De longe víamos algumas luzes e imaginávamos ser Águas Calientes. Sim, era, os nossos pés doíam, os joelhos também, estávamos exaustos, quando vimos um portão que dava acesso a um estacionamento de ônibus. Perguntamos para um dos funcionários onde era a plaza de armas da cidade, pois era o local que os outros se encontrariam para ir jantar e ele nos indicou.

Não sabíamos onde estava o rapaz Jesus, então começamos a buscá-los, cansados e irritados com a situação, fomos à Plaza de Armas e no caminho já se notava uma estrutura bastante acolhedora e moderna, com luzes, placas e já se ouviam diversas línguas diferentes.

Quando chegamos, encontramos de primeira o Jesus e uma multidão de estrangeiros que aguardavam sentados ao redor de uma estátua do inca Manco Capac.

Como por um milagre chamaram o nosso nome e nos deram as diretrizes do hotel que íamos ficar e marcaram um horário para que nos encontrássemos em um restaurante próximo para a janta. Fomos a caminho do hotel, na recepção perguntaram se éramos casal ou solteiros, informamos que casal e então nos deram a chave.

O nosso quarto tinha uma sacada voltada para as montanhas e para a estação de trem, a vista era bastante bonita, tomamos um banho quente que nos lavou a alma, porque tínhamos pedras dentro dos tênis e nem sentíamos os nossos pés, logo, fomos ao restaurante.

A caminho do restaurante tive a maior coincidência da minha vida. Vi a foto do caminho Inca na rede social de um amigo de Hong Kong, resolvi mandar uma mensagem perguntando como estava a viagem e onde ele estava, ele me respondeu rapidamente falando que estava em Aguas Calientes e que o seu trem sairia em mais ou menos 1 hora.

Eu não pude acreditar, falei para ele me encontrar na praça Manco Capac em 10 minutos, deixei a minha companheira no restaurante e quando olhei para fora, vi que começou a chover. Mas não importava, queria muito ver este amigo, então fui com destino à praça, o convidei para jantar conosco e voltamos ao restaurante conversando sobre a viagem e fugindo dos pingos.

Chegando no restaurante ele só teve tempo de conhecer a minha companheira e partir, foi um encontro muito inusitado e me marcou muito.

Terminamos a janta, fomos em busca das passagens de ônibus que deveriam ser compradas com antecedência e depois de comprar, debaixo de chuva regressamos ao hotel.

A rua do hotel era bastante charmosa, embora bastante simples, era acessível a cadeirantes, também havia uma pequena cafeteria que vendia doces , então compramos um tiramisu e finalmente fomos ao quarto, comer e dormir com o som da chuva.

O dia nasceu igualmente chuvoso e isso nos despertou insegurança quanto à vista da paisagem de Machu Picchu, porém mesmo assim levantamos às 8 AM bastante dispostos, passamos na recepção para retirar o nosso lanche de café da manhã que nos entregaram em um saquinho de plastico e fomos em direção às ruas de Aguas Calientes para comprar mais coisas em algum mercado local.

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