Chachapoyas Diário de Viagem Peru

Guia do Nativo #10 – Kuélap

Podcast

Introdução

Sempre antes de visitar um lugar, gostamos de ler e estudar sobre, porque assim podemos ter uma experiência mais completa e profunda. Dessa vez pude me preparar bastante antes de conhecer o Amazonas peruano e as culturas pertencentes a esse local tão bonito.

A cultura que mais me chamou atenção foi a dos Chachapoyas, a qual enquanto estudava encontrei em diversas fontes que os seus membros eram naturalmente guerreiros e muito belicosos, em alguns lugares você pode encontrar que eles também eram canibais, mas não.

Para entender mais sobre a cultura dos Chachapoyas, fomos até a fortaleza de Kuelap. Uma das fortalezas que sobreviveu ao tempo, localizada em Tingo, fica a 3.000 metros de altura e está às margens de um imenso precipício, Os Chachapoyas eram uma das poucas culturas com a habilidade de atravessar as matas fechadas da região e tinham a peculiaridade de construir as suas comunidades distantes de rios.

O mais impressionante é que não é apenas uma fortaleza, mas também uma cidade construída tão longe de uma fonte de água que é difícil de entender como as 4000 pessoas que chegaram a viver em seu auge faziam para sobreviver, o que dizem é que um dos diferenciais dessa cultura era a habilidade de atravessar matas fechadas e o costume de subir e descer montanhas, assim faziam principalmente as mulheres para buscar água, mas até hoje não sabemos se era isso ou se havia alguma estrutura de armazenamento.

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A muralha tem 587 m de largura, algumas das pedras pesam até 3 toneladas, o muro alcança até 20 m de altura e é ondulado, o que faz com que as entradas não sejam encontradas tão facilmente e ainda assim, se vistas pelo inimigo, ele teria que percorrer um corredor de 60 m de cumprimento por 3 de largura e que se afunilava a uma pequena entrada onde passava apenas uma pessoa, desenhado com o propósito de vulnerabilizar a entrada dos inimigos, os deixando mais expostos à chuva de pedras lançadas de cima para baixo pelos defensores.

Passando desta entrada, encontra-se uma pequena cidadela de pedras, com algumas unidades habitacionais em forma circular feitas de pedras, por dentro de todas elas se encontrava um pequeno buraco e uma divisória de cômodos, o pequeno buraco é chamado de cuyero, pois é onde criavam os cuyes (cuy é o famoso porquinho da india no Brasil, e que também é um prato típico peruano).

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A arquitetura dos Chachapoyas possui uma identidade que cultuava a água, a serpente e o puma da montanha, representada por um losango que pode ser encontrado em alguns edifícios construídos por eles. Este losango representa o movimento da água, o corpo de uma serpente e/ou os olhos de um puma das montanhas.

A cidade possui diversos locais de interesse que mostram quão complexa era a cultura e o mais interessante para mim foi o Templo Mayor, que era um dos lugares sagrados, onde está localizado o El Tintero, que é um cone invertido que acredita-se ser usado como observatório astronômico, pois possui 5,5 m de altura e uma base de 13,7 m de diâmetro, alguns pesquisadores acreditam que poderia ser um mausoléu.

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Além disso neste templo também encontra-se um recinto onde foi descoberto um ossário com muitos ossos humanos e isso leva a crer que haviam rituais complexos, pois em torno deste recinto foram encontrados corpos e oferendas trazidas do litoral norte, de Ayacucho, do sul e de Cajamarca.

A muralha não servia apenas para proteger o interior, mas também eram onde os seus mortos jaziam, arqueólogos encontraram cerca de 65 tumbas coletivas no muro e acreditam que há mais, nessas tumbas encontraram crânios com intervenções cirúrgicas, o que mostra mais uma habilidade dessa cultura

Por conta de todas essas vantagens sociais, os Chachapoyas despertaram cobiça de outras culturas, como a dos incas, que por volta de 1570 conseguiram invadir a muralha e tomar a cidade, se apoderando de parte de sua cultura e templos, pois cientistas encontraram em alguns templos Chachapoyas encontrados em lugares de dificílimo acesso possuíam indivíduos da cultura Inca.

Como fomos?

Pegamos um moto taxi (3 soles) de Chachapoyas (Cidade) até uma rodoviária de onde saem “Colectivos” (carro que te leva até o teleférico de Kuelap em Nuevo Tingo), lá, compramos uma água e pegamos um desses coletivos para o teleférico (7 soles cada), lembrando que é necessário que o carro esteja cheio para que saiam, então pode levar um pouco de tempo, assim como levou para nós, uns 20 minutos. A volta para o terminal de Chachapoyas normalmente é feita por vans que ficam paradas no Terminal de ônibus que te levam às cabines, essas são mais baratas (5 soles cadas) e fazem uma parada na cidade mais próxima para irem ao banheiro ou tomar um sorvete.

O teleférico se encontra em Nuevo Tingo e chegando ao teleférico já se nota uma estrutura maior e bem organizada, onde tivemos que comprar entradas que incluem: um ônibus de ida às cabines; a subida à Kuelap de teleférico; a descida e; o retorno de ônibus à Nuevo Tingo, isso nos custou 20,00 soles cada, e atenção, eles aceitam apenas dinheiro local, ou seja, somente soles, não adianta levar dólares, nem cartão.

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O caminho é montanhoso e dentro do ônibus você vai sendo informado em inglês ou espanhol sobre do que se trata a fortaleza de Kuelap.

Chegando às “Telecabinas Kuelap” nos deparamos com uma estrutura super moderna e uma fila para embarcar.

Para embarcar, as pessoas se posicionavam em marcas no chão, pois a cabine passaria sem parar e todos entravam em seu tempo, a viagem de teleférico foi a mais longa que fiz, foram 20 minutos em meio a montanhas, vistas muito altas, a impressão é a de estar voando, pois toda a cabine é transparente e assim como o embarque, o desembarque é igual. Sinceramente, se o passeio fosse apenas este já valeria cada centavo.

Assim que chegamos na base superior, encontramos uma estrutura charmosa com banheiros, um centro de interpretação que serve como um museu, onde apresentam a cultura Chachapoyas e a bilheteria para comprar a entrada na fortaleza (20,00 soles cada).

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A partir daí há uma subida de mais ou menos 1,5km, cerca de 30 minutos caminhando, mas não se preocupem, porque mais ou menos de 200 a 200 m tem uns bancos com cobertura para descansar e também existe a opção de alugar burros ou cavalos para subir sem esforço (o que não recomendo, por conta do fomento à exploração animal).

Chegando à muralha, vão pedir as entradas e assim adentrarão à Kuelap. Existe um caminho de madeira que deve ser seguido e uma direção clara, cada lugar de importância possui uma placa informando do que se trata e isso realmente facilita bastante a visita de viajantes econômicos.

Não é um local cheio, pelo menos por enquanto, porque pelo que ouvi dos locais a cada dia a popularidade aumenta. É um lugar acessível para todas as idades, posso dizer que é um rolê econômico também e acima de tudo muito cultural. Se você quiser e estiver aberto a aprender, tenho certeza que aprenderá bastante e sairá desta experiência uma outra pessoa.

Preços

Os preços podem mudar de acordo com o seu poder de negociação com os taxistas, mas de qualquer maneira colocarei o quanto paguei para que tenham uma idéia.

  • Do centro da cidade de Chachapoyas ao Terminal Terrestre de Chachapoyas: S/1,50;
  • Do Terminal Terrestre de Chachapoyas ao terminal de ônibus que te levam até às Cabines: S/7,00;
  • Do terminal de ônibus até as Cabines S/20,00;
  • Entrada à Fortaleza S/20,00;
  • Retorno do terminal de ônibus ao Terminal Terrestre de Chachapoyas S/5,00;
  • Taxi do Terminal Terrestre de Chachapoyas ao centro da cidade S/2,50;
  • TOTAL DE S/56,00 PARA ESSE PASSEIO INCRÍVEL!

Agradecimentos

Karla Cruzado Urbina, arqueóloga que trabalhou no local durante bastante tempo e me ajudou com algumas dúvidas sobre o assunto.

Referências

https://es.wikipedia.org/wiki/Ku%C3%A9lap <acesso em 15/05/2020>

<Acesso 15/05/2020>

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