Edifícios São Paulo

Guia do Nativo #08 – Centro Cultural de São Paulo

O centro cultural de São Paulo é aquele lugar que você vai para relaxar, ler um bom livro, meditar e até pegar sol. Mas não se engane, você também pode ir com o seu grupo de dança ou ir assistir uma peça de teatro!

PODCAST

História e Construção

O Centro Cultural de São Paulo foi idealizado na década de 70, quando o terreno entre a rua Vergueiro e a Avenida 23 de Maio foi dado para a prefeitura por causa das desapropriações feitas para a construção do metrô, era uma área de mais ou menos 300 mil metros quadrados.

Em Junho de 73, na administração de Miguel Colassuono, o Projeto Vergueiro, cujo objetivo era promover a urbanização do local, surgiu. Ali seria construído um complexo de escritórios, hotéis, um shopping e uma biblioteca pública. O prazo para a construção era de 5 anos, mas 2 anos depois, a administração de Olavo Setúbal cancelou o projeto, tendo que arcar com indenização ao consórcio Prounb.

Do plano antigo restou apenas a construção da biblioteca pública. Para isso, foi instalada uma comissão de estudos que contava com bibliotecários, professores e o arquiteto Aron Cohen. A ideia do grupo era construir uma biblioteca moderna em que o leitor tivesse livre acesso ao material, de forma que o objetivo não seria mais guardar a informação e sim escancará-la para o público. O arquiteto Eurico Prado Lopes venceu a concorrência aberta em 1976, e as suas obras tiveram início em 1978.

A gestão seguinte, do prefeito Reynaldo de Barros, resolveu reformular o projeto da biblioteca e adaptá-lo ao de um centro cultural multidisciplinar nos moldes dos que estavam surgindo no mundo todo como o Georges Pompidou, fundado em 1977 na cidade de Paris (França) e então secretário municipal de cultura, Mário Chamie, alegava que a localização era ideal para a instalação de uma instituição como essa e que a obra era grande demais para abrigar somente uma biblioteca.

Ficou decidido, então, que o centro cultural contaria com cinema, teatro, espaço para recitais e concertos, ateliês e áreas de exposições. Os arquitetos Eurico Prado Lopes e Luiz Telles continuaram à frente do projeto.

O Centro Cultural São Paulo começou a ser construído nos últimos anos da ditadura no Brasil. A proposta de valorizar o aspecto multidisciplinar dos espaços e evitar a compartimentação foi alvo de muitas polêmicas. Nas palavras do arquiteto Luiz Telles: “Ficávamos de prontidão, para ver com o que iam implicar. Não que fôssemos subversivos, os outros é que eram retrógrados”.

A concepção do centro cultural foi baseada em extensa pesquisa para entender o que significava o acesso à informação em um país como o Brasil. O edifício foi projetado com o objetivo de facilitar ao máximo o encontro do usuário com aquilo que seria oferecido no centro cultural. Dessa maneira, a arquitetura do prédio não obedeceu a padrões pré-estabelecidos, privilegiando as dimensões amplas e as múltiplas entradas e caminhos.

O projeto foi amplamente discutido na mídia, pois, além de apresentar conceitos inéditos como integração e multidisciplinaridade, sua construção contou com alguns problemas de ordem técnica, já que apresentava muitas inovações arquitetônicas. Para viabilizar as formas arrojadas pretendidas pelos arquitetos, utilizou-se os mais variados materiais, como vidro, aço, concreto, acrílico, tijolo e tecido.

As estruturas misturadas que eram previstas no projeto fizeram com que conceitos tradicionais de execução tivessem que ser modificados, dando lugar a novas técnicas muito específicas que beirou o artesanal. Durante a construção do prédio, Emilie Chamie, esposa do então secretário de cultura, Mário Chamie, criou o logotipo da instituição. O desenho é a representação de uma junção de curvas e foi pensado, segundo sua criadora, a partir das estruturas do prédio.

A lei de criação do Centro Cultural São Paulo, promulgada em 6 de maio de 1982, estabelecia que suas funções incluíam: “planejar, promover, incentivar e documentar as criações culturais e artísticas; reunir e organizar uma infra-estrutura de informações sobre o conhecimento humano; desenvolver pesquisas sobre a cultura e a arte brasileiras, fornecendo subsídios para as suas atividades; incentivar a participação da comunidade, com o objetivo de desenvolver a capacidade criativa de seus membros, permitindo a estes o acesso simultâneo a diferentes formas de cultura; e oferecer condições para estudo e pesquisa, nos campos do saber e da cultura, como apoio à educação e ao desenvolvimento científico e tecnológico”.

A inauguração aconteceu no dia 13 de maio de 1982. Havia um grande público, entre convidados, participantes da obra e a população em geral, após a cerimônia, os presentes percorreram as dependências do edifício, assistiram a espetáculos musicais com o Coral Paulistano e com o pianista João Carlos Martins e puderam apreciar as obras em exibição na Pinacoteca.

Em 1982, São Paulo possuía aproximadamente 8,5 milhões de habitantes, grande parte deles espalhada pela periferia. A intenção do centro cultural que nascia era a de juntar pessoas de todos os espaços, fornecendo um ambiente em que todos tivessem acesso aos mais variados gêneros culturais.

Mário Chamie destacou em seu discurso todo o trabalho que a obra demandou, apontando que “durante dois anos, dez meses e um dia pelas manhãs, tardes e madrugadas adentro, trabalhou-se na construção desse espaço”. Segundo Chamie, era necessário abrigar em um só espaço cultura popular e erudita, e todo tipo de manifestação cultural de grupos ou comunidades das mais diversas, para refletir “toda essa igualdade cultural brasileira que é feita justamente das diferenças”.

Atualmente

Entre as várias atividades educativas e culturais fornecidas pelo centro cultural, se destaca o projeto Centro do Rock que fornece shows de rock ao vivo com entrada franca e acontece todos os anos no mês de julho. Outra atividade, com entrada também gratuita é a Semana de Dança que leva mostra de danças ao local durante varias semanas do ano. Mas além dos projetos que ocorrem anualmente no CCSP ha muitos shows de diversos tipos musicais, peças de teatro de todos os gêneros, e outros projetos que visam levar cultura a população.

Além das atividades cedidas pelo Centro, pessoas se reúnem para praticar danças como Break, K-pop, forró, sertanejo e outros. Outros jovens se encontram para estudar, jogar jogos de tabuleiros nas mesas de fora da biblioteca e até ensaiar peças de teatro no gramado do andar superior.

No andar que está no nível da Rua Vergueiro, você encontra além de exposições na área interna, uma horta comunitária. Você pode colher (seguindo as regras estabelecidas numa placa bem visível) e também plantar. Este é um dos espaços que mais gosto de ocupar, possui um gramado extenso e bancos para observar o contraste da cidade, onde do outro lado da Av 23 de Maio têm prédios e mais prédios e a direita, lá no horizonte é possível ver as montanhas da Cantareira.

O Centro Cultural possui um programa de livre acesso, onde as pessoas com deficiência e mobilidade reduzida podem frequentar facilmente todas as oportunidades que o CCSP fornece. Os funcionários são treinados para ajudá-los e além disso o Centro fornece atividades e espaço físico possibilitando o acesso de cadeirantes, deficientes auditivos e visuais.

Ha também wi-fi grátis por todo o CCSP para colaborar com a educação das pessoas.

O local fornece também um local para guardar bicicletas e abriga (ou abrigou, depende da data que esteja lendo) uma oficina de conserto de bicicletas.

O Centro cultural possui cinco bibliotecas em seu interior, a Biblioteca Sérgio Milliet, a segunda maior da cidade; a Biblioteca Alfredo Volpi que resguarda um catálogo sobre artes plásticas, fotografia e arquitetura; a Gibiteca, que além dos gibis oferece palestras, exposições e oficinas de gibis. A Biblioteca Louis Braille, acessível para deficientes visuais e auditivos pois contem áudio-livros e livros em braille, além de computadores com a tecnologia de braille. E por último o espaço contém a Sala de leitura Infanto-Juvenil, um arquivo de multimeios com artigos sobre a arte contemporânea brasileira e a Coleção de Arte da Cidade, que contém obras de Tarsila do Amaral.

Receita do Nativo para uma vivência plena

Caso você não queira aproveitar a programação super completa do CCSP que está no link abaixo:

http://centrocultural.pagina-oficial.ws/site/agenda-diaria/

Você pode seguir uma receita para um dia pleno que fiz, espero que goste:

Ingredientes:

  • A sua melhor câmera/celular
  • Snacks e 1 garrafinha (não se preocupe com água, lá há);
  • 1 toalha ou 1 lençol;
  • Espírito curioso e mente aberta
  • Amigo(s)/namorado(a)(s) a gosto

Modo de preparo:

  • Antes de sair de casa, veja o vídeo que deixei abaixo, para se familiarizar com o ambiente;
  • Aproveite os espaços como a arquitetura rústica com paredes de tijolos para tirar fotos;
  • Estenda a toalha/lençol na grama e faça um picnic, medite, durma, relaxe e(ou) outros;
  • Com o seu espírito curioso e mente aberta, permita-se:
    • Conhecer as exposições que talvez vão te fazer crescer artisticamente ou só boiar;Visitar as dependências da biblioteca e ver quantos asiáticos estão estudando para serem o seu chefe no futuro;Ver pessoas dançando sem nenhuma vergonha e imaginar quantos artistas e dançarinos profissionais saíram e sairão daí;Jogar xadrez com o pessoal e notar quão medíocre e previsível você é.

É um exercício de auto-conhecimento e humildade, mas principalmente se encontrar como ser humano livre para experimentar diversas culturas em um só lugar, uma pessoa comum que reconhece os seus conhecimentos e os infinitos outros que talvez jamais saberá.

Localização

Como Chegar

A maneira mais fácil de chegar é de metrô, a estação Vergueiro está ao lado do Centro Cultural e tem acesso direto.

Também é tranquilo ir de bicicleta, mas leve o seu cadeado.

Também está dentro da área da Yellow caso esteja por perto.

Possui um ponto em frente, para ônibus que vêm direto do centro, mas são poucos, uma opção é descer nos pontos da 23 e ir caminhando até o Centro Cultural, dependendo do seu ritmo é de 5 a 10 min de caminhada.

REFERENCIAS

http://centrocultural.sp.gov.br/site/visite/usos-dos-espacos-recomendacoes-e-determinacoes/ <Acesso em 02/07/2019 às 18:11>

http://centrocultural.pagina-oficial.ws/site/desfrute/espacos/ <Acesso em 02/07/2019 às 18:11>

http://centrocultural.pagina-oficial.ws/site/institucional/historia/ <Acesso em 02/07/2019 às 18:13

https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_Cultural_São_Paulo <Acesso em 02/07/2019 às 18:20

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